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sábado, 18 de março de 2017

Equinócio de Outono: tempo de recolhimento e descoberta interior


Por Lais Guru Suroop Kaur
           
 Vivemos tão desconectados da Natureza que não nos preparamos para uma nova estação. Continuamos a mesma velha rotina, os mesmos hábitos, a mesma alimentação, quer estejamos no calor do verão, ou no tépido frio de nosso inverno.

Apesar de vivermos num país tropical, onde as diferenças das estações não são muito pronunciadas, temos que reconhecer que algo sempre muda.

Estamos agora nos aproximando do Equinócio do Outono, a porta de entrada para a nova estação. A energia muda, as condições do tempo mudam e, assim como fazemos rituais para comemorar a Lua Cheia com práticas meditativas, também temos que colocar nossa atenção no que o outono nos traz para aproveitar o melhor da estação, mantendo o melhor para a nossa saúde. Não há como negar que as mudanças de estações têm uma profunda influência em nossa saúde.

No outono, o ar começa a se mover numa brisa mais fresca que, aos poucos, vai se tornando mais fria. Também, “as águas de março que fecham o verão” darão lugar a um tempo mais seco. Leve, frio, seco, errático, móvel são as qualidades predominantes no outono.

Na linguagem do Ayurveda, dizemos que estamos num tempo Vata, biotipo que é representado pelas qualidades acima que vêm dos elementos ar e éter.

A mudança de temperatura e a secura do ar podem trazer os resfriados, gripes, tão comuns nessa época, assim como pele seca, constipação e pensamentos erráticos que podem se traduzir em ansiedade, insônia e medo.

Para manter o equilíbrio, a sabedoria ayurvédica nos ensina contrapor hábitos e alimentação a essas qualidades que estão muito presentes nesse momento.

Para evitar a secura desse período, massagear o corpo inteiro com óleo de gergelim morno, deixar por 10 minutos e depois enxaguar o corpo com água quente, de preferência sem usar o sabonete nesse banho. Isso ajuda a diminuir a secura, a prevenir problemas articulares e músculos contraídos. Passar também um pouco do óleo de gergelim por dentro das fossas nasais, utilizando o dedo indicador,  ajudará a evitar a secura desse epitélio.

Para se contrapor ao frio e à tendência a digestão mais irregular, priorizar alimentos quentes e cozidos. Os sabores que equilibram vata são: doce (não se refere a alimentos com açúcar), ácido e salgado. Os que desequilibram, principalmente por suas qualidades secantes e frias, que devem ser restringidos, são: amargo, picante e adstringente.  Alimentos como o kicharee são excelentes opções para o almoço de um dia mais frio, variando os vegetais agregados e, no jantar, preferir os legumes no vapor e as sopas. Comer menos saladas cruas.

O chá Yogi é uma excelente bebida para o outono!

Como Vata é móvel, mas errático, nossa mente poderá estar fervilhando com mil pensamentos que poderão levar à ansiedade e insônia. Outono e inverno são períodos onde devemos estar mais dentro de nós mesmos, um tempo para introspecção, para um maior conhecimento de nosso próprio ser. Reserve mais tempo para desfrutar do silêncio e mantenha uma prática meditativa consistente.




Nos dias mais frios, mantenha o corpo aquecido e aqueça-se também com o convívio dos amigos, com o aconchego de seus ambientes.

A prática de yoga é excelente em todas as estações e, no outono/inverno, procure fazer os exercícios num ritmo mais lento para se contrapor à mobilidade de Vata e dê uma especial atenção à respiração, já que Vata se relaciona com os pulmões e também com o Sistema Nervoso. Práticas excelentes são: Surya Namaskara, posturas de torção que estimulam o funcionamento do intestino, postura de eliminação de gases, Vaca-gato, Shavásana para aterrar e relaxar, respiração longa e profunda, respiração com alternância de narinas.

Em Kundalini Yoga, o Manual Kundalini Yoga para Juventude e Alegria traz muitos kriyas para o Sistema Nervoso que são excelentes para essa estação. Qualquer meditação é recomendada para esse período, mas Shabad Kriya é especial porque pode ajudar a combater a insônia que pode ser comum nesse período Vata. A Respiração do Dez é uma excelente prática para manter forte nosso sistema imunitário.

Vata em equilíbrio traz criatividade, alegria, conexão com nossos sentimentos, entusiasmo pela vida. Vamos expandir essas qualidades equilibradas, aproveitando para aprender a cuidar de nós com todo carinho nesse outono.

  A seguir algumas receitas  nutridoras para essa estação:

Amaranto quente para o Café da Manhã (outono)

Ingredientes:
- 1 xícara de amaranto seco 
- 2 ½ xícaras de água
-  ¼ xícara de uvas passas
Guarnição: coco ralado
Preparação:
            Deixe a água ferver numa pequena panela, misture nela o amaranto e as uvas passas. Reduza o fogo e cubra.


Banquete do Yogi Bhajan (Kicharee)
 (tridosha e principal prato na dieta de desintoxicação)

Ingredientes:

- 1 xícara de feijão moyashi lavado
- 1 xícara de arroz basmati
- 5 xícaras de água
- 1 cenoura cortada em pedaços pequenos
- 1 abobrinha cortada em pedaços pequenos
- ½ xícara de azeite
- 2 colher de chá de cúrcuma
- ½ colher chá pimenta Cayena
- 1 colher (chá) de sementes de cominho
- 1 cebola picada
- 2-3 talos de salsão picados
- 1 colher chá pimenta do reino moída na hora
- 1 colher chá de coentro em pó.
- 4 dentes de alho.
- 1 colher sopa de gengibre picado bem fininho
Preparação
            - Coloque numa panela o feijão e a água para ferver.  
            - Quando os feijões estiverem quase cozidos, acrescente o arroz. Se precisar, acrescente mais água quente até o arroz cozinhar. 
            - Acrescente os vegetais, diminua a chama e cozinhe até que estejam tenros. A consistência final é de uma comida bem cozida.
            À parte, numa frigideira, coloque o azeite ou o ghee, agregue a cebola, o alho, o gengibre e a cúrcuma. Depois de fritar um pouco, acrescente os outros condimentos. Desligue o fogo e reserve. Acrescente um pouco de sal.
            Quando o cozido de arroz, feijão e vegetais estiver pronto, misturar na panela o conteúdo da frigideira.
            Guarneça com salsinha ou coentro fresco picado.

Sopa de Mandioquinha Salsa

Ingredientes:
- 7 mandioquinhas salsas

- 2 colheres (sopa) manjericão picado
- ½ xícara de alho-poró
- 1 cebola finamente picada
- 1 colher (chá) de cúrcuma
- !/2 colher (chá) de cominho em pó
- 2 colheres sopa de óleo de girassol ou azeite
- água filtrada

Preparação
            Lave e descasque as mandioquinhas. Corte em rodelas grandes e reserve.
            Coloque uma panela no fogo, acrescente o azeite, deixe esquentar e coloque a cúrcuma em pó, a cebola e o alho-poró e deixe refogar um pouco até a cebola dourar.
            Acrescente a mandioquinha, a água e o sal e deixe ferver até cozinhar a mandioquinha.
            Deixe esfriar. Depois de frio, bata no liquidificador, acrescente o manjericão, até virar um creme. Volte ao fogo para esquentar um pouco e sirva.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Um chamado da alma


“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu” (Chico Buarque – Roda Viva)

 E, muitas vezes, estamos materialmente suficientes, temos um bom trabalho, um bom relacionamento, mas.... Mas, há um anseio interno por algo que não conseguimos entender ou discriminar.

Apesar de, nesses momentos, emergirem sensações que nos incomodam, há, também, intuitivamente, um impulsionar para uma ação, uma mudança, uma transformação. Assim como deve se sentir a larva quando está para virar uma borboleta.

Do ponto de vista do Yoga, esse anseio, esse “longing to belong”, é um chamado de nossa alma para um despertar interno. O mundo material já não nos satisfaz, não nos preenche e nos traz apenas alegrias momentâneas e não a felicidade.

É hora, então, de voltar para dentro. A sabedoria consciente leva à procura de um caminho espiritual; ignorar esses sentimentos leva aos remédios para poder suportar a vida.
         
Mas o que é um caminho espiritual? Conta uma história que, quando um discípulo fez essa pergunta a um Mestre, ele respondeu, abrindo a mão e mostrando a distância entre o polegar e o indicador da mão aberta e disse: esse é a distância que se tem que percorrer no caminho espiritual e, colocando o dedo mínimo sobre o umbigo, o polegar alcançou o coração.

O coração é o portão para nossa alma. O caminho espiritual é aquele que o leva a sua essência interior.

Muito filosófico, mas, praticamente, como alcançar essa essência? Começando do mais material para o mais sutil – ampliando a sua consciência de seu corpo, depois de sua mente e, por último de seu espírito. E comece da forma mais simples: dedicando alguns minutos de silêncio para observação de seu próprio ser.

Um dos maiores objetivos do Yoga é lhe dar essa consciência do próprio ser, mas a prática do silêncio, um momento em que podemos estar em paz conosco, é muito importante para iniciar essa consciência. Se, nesse momento, sua mente estiver agitada, nublando essa possibilidade de encontrar esse espaço interior, concentre-se na respiração: vibre mentalmente “Sat”, quando inspirar e “Nam, quando expirar. O mantra Sat Nam o leva a vibrar na freqüência de sua verdade (Sat). Logo a mente se acalmará e você poderá se dedicar ao momento de silêncio com você mesmo.

Ao acordar, depois de despertar o corpo, use alguns momentos para essa prática. Observe-se amorosamente como um ser único na “oficina de modelagem” de Deus. Observe-se sem culpa ou julgamentos. Compreenda que a vida lhe foi dada para que sua alma aprenda lições e os desacertos estão incluídos nesse caminho.

Projete seu dia com tolerância e bondade, os mesmos sentimentos com os quais se inunda agora. Aceite o fluxo da vida como ela é e siga adiante.

Se encontrar resultados, busque mais. Busque uma prática meditativa diária e, dia a dia, a plenitude virá e o vazio irá embora.


Guru Suroop Kaur

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017