Divulgando e ensinando Kundalini Yoga desde 1996!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Dieta da Primavera


Por Lais Guru Suroop Kaur

                O Equinócio de primavera se aproxima. Já começamos a sentir uma mudança na Natureza fazendo seus ciclos: a temperatura sobe, as flores aparecem e, nas regiões onde o inverno foi mais intenso, a vida acorda.

                Precisamos estar sensíveis às mudanças, alterando nossos hábitos e nossa dieta. Temos que deixar para trás a dieta mais quente e nutritiva do inverno. À medida que a temperatura sobe, devemos ter uma dieta mais leve, comer menos e mastigar mais.

                Reduza gorduras e óleos de sua dieta. Restrinja os laticínios. Coma mais alimentos crus, especialmente saladas. Use mais a panela a vapor para cozinhar apenas suavemente os vegetais.

                Observe quais são os produtos da estação e os consuma preferencialmente. A Natureza é sábia e tem sua maneira de oferecer os alimentos de que precisamos em cada estação.

                Os brotos são os alimentos que têm a mesma freqüência de renovação da primavera. Consuma muitos brotos. Brote sementes integrais, feijões, castanhas e sementes, deixando a vida irromper com a primavera. Brotos de alfafa, de trevo e de moyashi devem estar em sua dieta diária.

                Um tônico clássico da Ayurveda é o leite de amêndoas. Deixe 1 xícara de amêndoas de molho durante a noite. De manhã, retire a pele e bata com água, na proporção de 1 xícara de amêndoa para 3 de água. Coe num coador de voil, conhecido como panela furada e você terá o delicioso leite de amêndoas. O bagaço pode ser temperado e usado como um patê, ou pode ser acrescentado a receitas de pão. O leite pode ser conservado na geladeira por 3 dias.

                As folhas verdes são outra excelente opção: alface, rúcula, radicchio, couve, mostarda, espinafre e brócolis: aposte na variedade. Consuma também dente-de-leão, salsinha, sálvia e tomilho.

                De qualquer modo, prefira as comidas frescas, cheias de prana, coma leve, aumentando o consumo de alimentos crus, ou suavemente cozidos, e de chás de ervas. Diminua os alimentos mais nutritivos e pesados.

                Em cada mudança de estação, é importante tentar uma desintoxicação suave que poderá ser feita em casa. Sebastian Pole, um terapeuta ayurvédico , autor de vários livros, sugere a seguinte desintoxicação doméstica:
                - Sete dias antes do início da primavera,  pode fazer uma monodieta, que é um tipo de jejum. Nesses 7 dias, você vai comer somente o kitcharee, um alimento completo, bem cozido, o que facilita a digestão, dando ao corpo um tempo para se limpar. Veja abaixo a receita do kicharee, conhecido em Kundalini Yoga como Banquete Bhajan. Além do kitcharee você também pode consumir chás de ervas e água na temperatura ambiente. Tente chás picantes de gengibre, canela e cardamomo para queimar ama, limpar as toxinas e relaxar o estômago contraído


                Além da monodieta, Sebastian Pole sugere massagear o corpo e cabeça com óleo de gergelim morno todos os dias. Deixar o óleo no corpo por 10 minutos e depois retire num banho quente para limpar as toxinas através da pele.


                No sexto dia, tome 1-2 colheres de chá de óleo de rícino (gestantes e mulheres que estão amamentando não podem fazer este procedimento) o que estimulará o funcionamento do intestino no dia seguinte. É bom se planejar para não sair de casa.

                Nos próximos 7 dias, vá retornando à dieta normal aos poucos, introduzindo os vegetais cozidos.


1. Banquete do Yogi Bhajan (Kitchari)
 (tridosha e principal prato na dieta de desintoxicação)

Ingredientes:
- 1 xícara de feijão moyashi lavado
- 1 xícara de arroz basmati
- 5 xícaras de água
- 1 cenoura cortada em pedaços pequenos
- 1 abobrinha cortada em pedaços pequenos
- ½ xícara de azeite
- 2 colher de chá de cúrcuma
- ½ colher chá pimenta Cayena
- 1 colher (chá) de sementes de cominho
- 1 cebola picada
- 2-3 talos de salsão picados
- 1 colher chá pimenta do reino moída na hora
- 1 colher chá de coentro em pó.
- 4 dentes de alho.
- 1 colher sopa de gengibre picado bem fininho
Preparação
            - Coloque numa panela o feijão e a água para ferver.  
            - Quando os feijões estiverem quase cozidos, acrescente o arroz. Se precisar, acrescente mais água quente até o arroz cozinhar. 
            - Acrescente os vegetais, diminua a chama e cozinhe até que estejam tenros. A consistência final é de uma comida bem cozida.
            À parte, numa frigideira, coloque o azeite ou o ghee, agregue a cebola, o alho, o gengibre e a cúrcuma. Depois de fritar um pouco, acrescente os outros condimentos. Desligue o fogo e reserve. Acrescente um pouco de sal.
            Quando o cozido de arroz, feijão e vegetais estiver pronto, misturar na panela o conteúdo da frigideira.

            Guarneça com salsinha ou coentro fresco picado.

terça-feira, 16 de maio de 2017

A Ciências de dormir bem


Por Cary Grant –
Fonte: (Revista Yoga Chicago – jan/fev. 2004)
Traduzido por: Lais Guru Suroop Kaur

                Você tendo problemas para dormir? Está se debatendo e girando na cama? Ou talvez esteja despertando no meio da noite e não consegue mais voltar a dormir? Ou ainda, quando o despertador toca, você está num sono pesado? Se um ou todos estes padrões são familiares para você, a ayurveda, a antiga ciência da vida pode ajudá-lo.

                A Ayurveda ensina que a causa principal da insônia é excesso de pensamentos e de estimulação sensorial que desorganizam nosso relógio interno. A ciência moderna está de acordo com o fato de que nosso relógio interno é o fator determinante de quando dormimos e da qualidade de nosso sono. O relógio interno é acertado de acordo com o ritmo diário ou circadiano.

                As pessoas que vivem ao ar livre encontram seu ritmo internamente pelo nascer e pelo pôr do sol e pelos ciclos lunares. No entanto, muitos ocidentais vivem separados de seu mundo natural. O nascer e o pôr do sol só são observados ocasionalmente. Dentro dos locais de trabalho e das casas estamos rodeados por estimulação artificial sob a forma de luzes, TV, computadores, etc. De fato, somos bombardeados com estimulação sensorial ao longo de todo o dia. Não é de se espantar que nosso relógio interno esteja confuso!

                No entanto, para corrigir os padrões que levam à insônia, precisamos sintonizar com o relógio interno. É muito importante fixar um horário para acordar, para dormir, para comer, para exercitar-se e para fazer um quieto relaxamento. Quando estes horários se tornam seus indicadores pessoais, todos os nossos sistemas psíquicos se harmonizam com eles.

                Primeiro fixe um horário para acordar e o obedeça. Isto é a base para acertar seu ritmo circadiano. Depois de acordar tome um banho de luz com o espectro completo. A forma mais simples de fazer isto é sair fora de casa, saudando o sol.

                Depois, planeje algum exercício pela manhã. O exercício e a luz iniciam o ciclo ativo do dia. Você também pode fazer algum exercício mais tarde, após o jantar, mas nada extenuante. Você não vai querer jogar futebol, num jogo agitado, às 21 horas, e conseguir dormir bem às 23 horas! Desta forma, quando viajar, a luz e o exercício pela manhã de sua chegada, amenizarão os efeitos do “jet lag”.

                Os horários das refeições precisam também ser estabelecidos. Muitas pessoas ficam bem com o tradicional desjejum, almoço e jantar, sendo que o horário do jantar termina em torno de 20 horas. Outras podem necessitar terminar mais cedo, entre 18 e 19 horas. Muitas pessoas sofrem de insônia por causa de problemas digestivos. Fazer do jantar uma refeição leve, num horário mais cedo e, pelo menos duas horas antes de ir deitar-se, pode trazer excelentes resultados. É importante colocar a proteína principal que vai ingerir no dia, no almoço, uma vez que muitas delas são estimulantes. A exceção é o peru, que contém triptofano, uma substância química que causa sonolência. Evite ou regule outros estimulantes como cafeína, álcool, nicotina, açúcar, frituras e temperos fortes.

                A solução real para muitas pessoas está em começar a desacelerar  a partir das 20 horas. Desacelerar significa apagar  luzes, desligar a TV e sair do computador. Pode ser que algumas pessoas precisem começar a desacelerar um pouco mais cedo, em torno das 19 horas. A ideia é imitar o natural pôr do sol, reduzindo a estimulação externa.   
       
                Muitas pessoas com insônia são hiper-sensíveis e nervosas, correspondendo ao tipo vata em ayurveda. Elas têm a tendência a ser especialmente sensíveis à eletricidade, luz, som, excesso de movimento, tumulto e toque. Estas pessoas precisarão controlar cuidadosamente o seu ambiente à noite. Elas não devem ter utensílios elétricos, especialmente TV, ou equipamentos relacionados ao trabalho no quarto de dormir. A área reservada para o sono deve ser escura, limpa e tranquila. As roupas de dormir precisam estar limpas, macias e , preferencialmente, de tecido não sintético.O colchão precisa ser firme. Nas noites de lua cheia, as cortinas têm que bloquear a claridade.

                Muitas pessoas sentem-se sonolentas em torno de 21 horas e , neste horário, começam a preparar-se para dormir. Planeje seu horário de dormir às 21, 21;30, ou 22 horas ( ou 23 horas durante os períodos de horário de verão). Se ficar acordado depois das 22 horas, o ritmo natural do dia se modifica. Depois das 22 horas, temos o período noturno de pitta, como é conhecido em ayurveda, ou ciclo de fogo. Ele acontece num período de quatro horas, entre 22-  2 horas (23-3 h no período do horário de verão). Se você dorme depois das 22h pode se “queimar no óleo da meia-noite” e  não conseguir dormir antes das 2-3 horas da madrugada! Este é o período onde os “trabalhadores noturnos da limpeza”  vêm e fazem a função de limpeza interna, enquanto você está dormindo. Se o estômago está cheio ou você acorda e come algo à meia noite, esta importante função é rompida, assim como seu sono.

                Se você vai dormir cedo, mas acorda entre meia noite e duas da madrugada, este padrão é chamado insônia do tipo pitta e pode significar que um programa de limpeza interna, especialmente para o fígado, está se fazendo necessária.

                Se dorme, mas acorda em torno de 3 horas da madrugada e não consegue mais dormir,  está num padrão conhecido como insônia tipo vata. Vatas tiram benefícios do óleo, sendo propensos à secura. Adicionar alguma gordura na dieta ajuda como também as massagens à base de óleo. Estas pessoas deveriam aplicar óleo aquecido em todo o corpo, seguido de um banho morno pela manhã. À noite, um banho quente com óleos suaves, como o de lavanda, ajudará a acalmar. O regime tradicional é lavar os pés com água quente e depois massageá-los com óleo antes de dormir. Tente simplesmente aplicar uma pequena quantidade de óleo como o de gergelim ou de amêndoas nos pés, vestir meias e você se surpreenderá como dormirá bem.

                Pode ser útil o uso de  ervas que acalmam, que são melhores que os medicamentos para dormir ou o álcool, pois estes interrompem o que é conhecido como “sono profundo”. Estas ervas acalmam os nervos, ajudam a relaxar e a ter um sono profundo e restaurador. Tinturas de valeriana ou de maracujá, adicionadas a um chá de ervas, como camomila ou tília, podem dar um bom resultado.

                Se, para você, é difícil sair da cama pela manhã, você provavelmente está sendo pego no ciclo matinal, que vai das 6-10 horas da manhã. Este é o período de kapha. Quanto mais dormir, mais difícil será levantar e mais “grogue” você se sentirá.

                É muito importante acordar às 6-7 horas , fazer sua higiene, tomar um banho de luz e exercitar-se para acertar seu relógio. Mesmo se foi dormir tarde, você precisa levantar pela manhã. E é melhor não cochilar durante o dia, a menos que isto seja parte de sua rotina diária.

                Realmente, uma terapia consiste em restringir a quantidade de tempo que se passa na cama. É melhor levantar e movimentar-se se não consegue dormir e isto pode melhorar a eficiência do sono ao longo do tempo. Isto também garante que você estará com sono, quando chegar a hora de ir para a cama. É preciso duas ou três semanas de prática constante para acertar o ritmo circadiano.

                Cerca de 30% dos adultos, no ocidente, sofrem de insônia; 12% têm distúrbios severos ou moderados de sono. Se as medidas acima não ajudarem, você terá de procurar mais fundo. A maioria dos distúrbios graves são iatrogênicos – que é um termo médico para se referir a distúrbios causados pelo próprio tratamento: os problemas do sono podem ser efeitos colaterais da prescrição dos medicamentos. Se você está usando um medicamento que está provocando distúrbios no sono, fale com seu médico para verificar a possibilidade de trocá-lo, diminuí-lo ou eliminá-lo. Depois, pense em melhorar sua alimentação e em estabelecer seu ritmo circadiano  e, então, verificará uma melhora notável. Outras causas dos distúrbios graves, que devem ser tratadas separadamente são: doenças cardíacas, apneia, hipoglicemia e depressão.

                O yoga nos ensina que experimentamos três estados de consciência: o estado desperto, o estado de sonhos e o estado de sono profundo. Este conhecimento coincide com as modernas pesquisas sobre as ondas cerebrais. No estado desperto, as ondas mais rápidas, conhecidas como ondas beta, estão ativas. Quando começamos a ficar sonolentos passamos por um estado transitório semi-desperto de ondas, conhecidas como alpha. Quando adormecemos, nosso cérebro desacelera para o padrão de ondas theta: é quando passamos através do estágio REM (rapid eye movement) de sonhos. E, finalmente, entramos em sono profundo, no mais lento padrão de ondas, as ondas delta. O yoga nos ensina que dormir nos restaura porque, no estado delta, descansamos junto da fonte de nosso ser. Podemos, de fato, experimentar um quarto estado de consciência, conhecido como turiya, onde ficamos profundamente sintonizados com nossa fonte interna de bem estar.

                A maior parte das pessoas entra no estado de ondas lentas, de sono profundo, e retornam ao estado de sonhos para quase despertar ou despertar totalmente uma hora e meia mais tarde. Este ciclo de sono então se repete, sendo que, na segunda vez, menos tempo é gasto no sono profundo e mais no estado de sonhos, aumentando a possibilidade de despertar. O terceiro ciclo pode ser quase todo de sonhos e muito pouco de sono profundo.

                Não podemos experimentar o sono profundo depois de 4 ½ horas do adormecer. Depois deste tempo, alternamos entre sonhos e despertar. Por isto, o sono profundo restaurador é experimentado nas três primeiras horas de sono. É por isto que os iogues dizem que você precisa de três horas de sono, isto se estiver alcançando as ondas lentas do sono profundo. A maioria das pessoas pode aprender a funcionar bem com 6-7 ½ horas de sono, melhorando sua eficiência para dormir com as técnicas descritas acima.

                Pode-se aprender a entrar diretamente no estado delta de sono profundo, praticando as técnicas de relaxamento do yoga, conhecidas como yoga nidra. A base desta prática é observar a respiração lenta e relaxada, com ênfase na expiração. Esta prática, por si só, pode sintonizar todos os ritmos internos de uma maneira direta e efetiva. Quando desaceleramos e regulamos a respiração, o ritmo cardíaco se torna mais lento, o sistema nervoso é acalmado e a mente relaxa, habilitando-nos a obter um efeito equivalente ao do sono profundo.

                Em resumo, para melhorar o sono precisamos trabalhar todas as funções rítmicas. A mais básica é o ritmo da respiração. Depois de estabelecer seus ritmos circadianos para comer, exercitar-se e adormecer., precisamos também considerar os ciclos mensais. Isto é muito importante para as mulheres, já que a insônia pode também estar relacionada aos desequilíbrios hormonais. A lua cheia é um fator que nos afeta definitivamente. O ritmo anual é menos notado ainda, mas algumas pessoas podem apresentar depressão no outono ou no início do inverno. Este é o tempo anual de vata. A terapia de exposição à luz pela manhã é indicada nesses casos. E, ainda, um outro ciclo a considerar é o ciclo da vida, que é especialmente relevante para os idosos, que, geralmente, experimentam insônia. Eles estão no ciclo de vida de vata. Jantar antes de escurecer, vivenciar noites relaxantes e uma rotina regular ajuda a melhorar o sono .


                E, finalmente, precisamos fazer menção ao ciclo de todas as vidas e do mundo. O sono é uma das quatro necessidades básicas, além da comida, reprodução e autopreservação, que são instintos compartilhados com os animais e todos os seres. Os ciclos de dormir e comer estão intimamente relacionados à vida animal, dependendo da vulnerabilidade de cada espécie em relação aos predadores. Da mesma forma, se os seres humanos estão sentindo ansiedade, insegurança ou medo, teremos problemas para adormecer. O antídoto é, carinhosamente, examinar nossos medos, gentilmente relaxar nossas preocupações e orar pela paz no mundo. Se todos os seres conhecerem a paz, poderemos dormir em paz e segurança.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O ghee é melhor que a manteiga?


Por Franziska Spritzler, RD, CDE
traduzido por Lais Guru Suroop Kaur

                Ultimamente, o ghee tem se tornado popular em muitos círculos. Ele é elogiado como uma alternativa para a manteiga, fornecendo benefícios adicionais.
                No entanto, algumas pessoas questionam se o ghee é superior à manteiga comum, ou se pode ter algum risco para a saúde.
                Neste artigo, teremos uma visão detalhada sobre o ghee e como ele se compara com a manteiga.

O que é o ghee?

                O ghee é um tipo de manteiga clarificada. É mais concentrado em gordura porque a água e os resíduos sólidos do leite foram removidos. Ele é usado na cultura indiana e paquistanesa há milhares de anos. O termo vem da palavra sânscrita que significa “pulverizado”.
                O ghee foi criado, originalmente, para impedir que a manteiga estragasse na estação quente. Além do uso culinário, ele é usado no sistema indiano de medicina, Ayurveda, onde é conhecido como ghrita.
                Como os resíduos sólidos do leite foram removidos, ele não requer refrigeração e pode ser mantido à temperatura ambiente por muitas semanas. Como o óleo de coco, ele se torna sólido nas temperaturas frias.

Como é feito?

                O ghee é feito aquecendo a manteiga para separar as porções líquidas e sólidas da gordura. Primeiro a manteiga é fervida até que seus líquidos evaporem e seus resíduos sólidos se coloquem no fundo da panela e ele se torna dourado-amarronzado. Depois, ó óleo remanescente (ghee) é colocado a esfriar até que fique morno. Então, é filtrado e transferido para um recipiente.

Como ele se compara com a manteiga?

                O ghee e a manteiga têm composições e propriedades nutricionais similares, apesar de poucas diferenças.
                Esses são os dados nutricionais para uma colher de sopa (14g) de ghee e de manteiga:

                                                                                                                                                         Ghee                                              Manteiga

Calorias                          112                                                  100                                                                                  
Gorduras                           8g                                                   7g                                                                                                          
Gordura monoinsaturada    4g                                                   3g                                     
Gordura polinsaturada       0,5g                                                0,5g                                           
Proteínas                          quantidades-traço                      quantidades-traço

Carboidratos                     quantidades-traço                       quantidades-traço

Vitamina A                     8% do RDI                                         7% do RDI

Vitamina E                     2% do RDI                                          2% do 

Vitamina K                     1% do RDI                                          1% do RDI
               
                Ambos contêm cerca de 100 calorias vindas da gordura. O ghee é mais concentrado que a manteiga, grama por grama, e fornece um pouco mais de ácido butírico e outras gorduras saturadas de cadeia curta. Testes e estudos em animais sugerem que estas gorduras podem reduzir inflamação, ajudar a saúde intestinal e inibir crescimento de câncer.
                Possui também um pouco mais de ácido linoléico conjugado, uma gordura poliinsaturada que pode ajudar a perder gordura.
                Geralmente, as diferenças entre os dois são pequenas e escolher uma ou outra parece não ter um impacto significativo sobre a saúde.
                No entanto, o ghee é completamente livre do açúcar do leite, a lactose, e da proteína do leite, a caseína, enquanto a manteiga contém pequena quantidade de cada. Para pessoas que têm sensibilidade a esses componentes do leite, o ghee é a melhor escolha.

Uso culinário

                A manteiga e o ghee são ricos em ácidos graxos saturados que podem ser aquecidos a alta temperatura sem se tornarem danosos.        O ghee aquecido parece produzir menos composto tóxico, a acrilamida, produzido pelo aquecimento dos óleos vegetais e de sementes.
                De fato, um estudo mostrou que o óleo de soja produziu dez vezes mais acrilamida que o ghee, quando aquecido a 160o graus.
                Além disso, o ghee tem um alto ponto de saturação, que é a temperatura em que as gorduras se tornam voláteis e produzem fumaça. Seu ponto de saturação é 250oC, maior que os 175oC da manteiga. Assim, quando estiver cozinhando a altas temperaturas, o ghee tem uma vantagem distinta sobre a manteiga.
                No entanto, enquanto o ghee é mais estável a altas temperaturas, a manteiga é mais adequada ao cozimento a baixas temperaturas, por causa de seu sabor mais adocicado e de sua cremosidade.

Benefícios potenciais à saúde

                Algumas pesquisas mostram que o ghee pode trazer benefícios à saúde:

                Marcador de saúde para o coração: alguns estudos em animais e seres humanos sugerem que consumir o ghee pode levar a mudanças favoráveis em alguns marcadores saudáveis do coração. Um estudo com coelhos encontrou que o ghee aumentou o HDL (bom) colesterol e reduziu a formação de depósitos de gorduras nas artérias. Por outro lado, ele também aumentou o nível de açúcar no sangue, em jejum.
                Num estudo controlado com 206 adultos saudáveis, o ghee foi a fonte de gordura responsável por um grande aumento na ApoA, uma proteína nas partículas do HDL que está ligada a um risco reduzido de doenças cardíacas.
                No entanto, é importante distinguir entre o ghee do leite e o ghee feito de óleos vegetais, conhecido como vanaspati  ghee, ou ghee vegetal. O ghee vegetal contém 14-40% de gorduras trans. Alguns pesquisadores acreditam que o consumo aumentado de ghee vegetal pode contribuir para aumentar os índices de doenças cardíacas entre indianos e paquistaneses.

                Câncer: muitos estudos com animais, comparando o ghee ao óleo de soja, sugerem que o ghee pode reduzir o risco de certos cânceres, como o câncer de mama, mas pesquisas de alta qualidade são ainda necessárias para confirmar esse resultado.

Efeitos adversos em potencial

                Baseado nos resultados de estudos controlados, o ghee parece não afetar o LDL (mau) colesterol. No entanto, as respostas das pessoas à ingestão de gordura saturada são muito variadas.
                Aqueles que têm tendência a um alto nível de LDL colesterol com a ingestão de gorduras saturadas podem limitar ou reduzir o consumo de ghee ou manteiga para 1-2 colheres de sopa por dia.
                Outro conceito é que, durante a produção do ghee, a alta temperatura, o colesterol nele pode se tornar oxidado. O colesterol oxidado está ligado a um risco aumentado de várias doenças, inclusive as cardíacas.
                O ghee é um alimento natural com uma longa história de uso medicinal e culinário. Ele fornece vantagens sobre a manteiga e é muito preferível se a pessoa tiver intolerância ou alergia ao leite.

                Tanto o ghee como a manteiga devem ser usados com moderação como parte de uma dieta saudável.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Arroz Basmati

Arroz Basmati

         Originário da Índia e Paquistão, é considerado o “príncipe dos arrozes”. Tem uma fragrância delicada e um sabor requintado, que lembra nozes.

         Possui um índice glicêmico menor em relação a outras espécies de arroz.

         Para o Ayurveda, que considera o processo digestivo fundamental para a manutenção da saúde, o arroz basmati é ideal porque é mais fácil de digerir. Tem sabor (rasa) doce, natureza (virya) fria e é nutritivo.



         Para o dosha Vata, consumir bem cozido, acrescentando, ao final, uma colher de ghee, para contrapor à secura de Vata e à qualidade fria do arroz.

         Os Kapha devem consumir arroz com moderação, já que esse alimento produz muco. Uma boa estratégia para Kapha é tostar levemente os grãos de arroz numa frigideira, antes do cozimento. Este tratamento prévio seca um pouco mais o arroz e se contrapõe à umidade de Kapha.

         Para os Pitta, prepará-lo com coco, como na receita abaixo, é uma boa indicação.

         Uma dica importante para o preparo de qualquer tipo de arroz, que se aplica também ao basmati, é sempre usar sementes de mostarda (a negra é melhor) para tornar ainda mais fácil a digestão desse alimento. A forma de usar as sementes de mostarda: coloque o azeite para esquentar e acrescente os grãos de mostarda. Quando começarem a “pipocar”, acrescente os temperos (cebola, alho, etc), depois o arroz e a água para cozimento.

         Abaixo uma receita deliciosa com arroz basmati.

Arroz de coco

Ingredientes:
- 1 colher (sopa) de azeite virgem
- 2 colheres (chá) de mostarda negra
- 2 xícaras (chá) de arroz basmati
- 1 ½ xícara (chá)de leite de coco
- 2 ½ xícaras (chá) de água
- sal a gosto
- suco de um limão
- 4 hastes de cebolinha cortadas fininhas

         Aqueça o óleo e acrescente as sementes de mostarda. Quando começarem a “pipocar”, acrescente as cebolinhas e deixe fritar um pouco.
         Acrescente o arroz, mexendo bem, deixando-o bem envolvido no tempero e óleo.
         Acrescente o leite de coco, a água e o sal. Depois de ferver, abaixe o fogo e tampe até o líquido secar e o arroz estar cozido.

         Depois de pronto, solte o arroz com um garfo enquanto mistura o suco de limão.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Transformação



            Quando me sento ao sol, sentindo a plenitude da vida e a força dos elementos na sua manutenção, percebo uma pressão incômoda interior que vem de pequenos pedaços de mim, latentes, gritando por manifestação.

            Esta pressão incômoda tem a força da semente no momento de eclodir. Uma força que rompe, apesar das barreiras... Barreiras colocadas pelo medo imaginário de ser e de não ser aceita, de ter de ser da forma que não se é para atender ao externo, barreiras colocadas no mundo infantil dos “não”, dos “você está fazendo tudo errado”, “você é burro”, “olhe como o fulano se sai melhor que você”. Sons estranhos que ecoam nos ouvidos adultos e que machucam ainda a criança interior, impedindo-a de crescer em plenitude.

            Mas, o sol pleno na manhã azul dá o exemplo. Plenitude, plenitude.... E a pressão das sementes não eclodidas e cultivadas chega em seu ponto máximo de tensão para manifestar-se. Mas, antes é preciso curar esta criança ferida e desacreditada de si mesma.

            Tenho que passar a vida a limpo. Fecho os olhos e imagino esta criança que vem a meu encontro. E, no vir, já lhe falo de sua beleza, de sua força, de sua inteligência, de sua graça, e a trago num grande abraço amoroso. Eu e minha criança.... Tenho de sussurrar-lhe, fazê-la dormir, cantando uma canção que lhe fala da beleza de expressar a sua alma, da sua adequação, de sua luz, de sua divindade, até que ela volte a acreditar em tudo isto. Amorosamente, pacientemente, curando as feridas, tentando abrir as portas de prisões imaginárias, de ecos de medo, embalando a criança docemente, docemente....

            Não sei se é tarde para florescer agora, mas na luz do sol brilhante que representa a plenitude da vida, tudo parece possível. Sinto também a força da terra sustentando esta transformação como faz com todas as sementes. A força da água que limpa e desvencilha os ramos das margens para empurrar-me para seguir. O ar, com seu movimento suave, parece dizer caminhe sem medo, suavemente, sendo apenas você.... Toda a força então se manifesta e brota como pequenos pedaços de esperança de um novo eu.

            Um novo eu, que pode manifestar a grandeza de sua alma, pode livrar-se da pequenez das neuroses, dos apegos, das ganâncias, da falta de autoamor e começa a conhecer a paz, a alegria, a sorte, o amor e tudo que é pleno em sua natureza humana-divina, parte da maravilha da Criação.

            E, uma onda de gratidão vem em meu coração, dirigida a meus mestres de Kundalini Yoga, que me ensinaram a tecnologia para fazer esta transformação amorosamente, pacientemente. E, além, me deram o legado de poder servir às outras pessoas, ensinando-lhes esta possibilidade de transformação. SAT NAM

sábado, 18 de março de 2017

Equinócio de Outono: tempo de recolhimento e descoberta interior


Por Lais Guru Suroop Kaur
           
 Vivemos tão desconectados da Natureza que não nos preparamos para uma nova estação. Continuamos a mesma velha rotina, os mesmos hábitos, a mesma alimentação, quer estejamos no calor do verão, ou no tépido frio de nosso inverno.

Apesar de vivermos num país tropical, onde as diferenças das estações não são muito pronunciadas, temos que reconhecer que algo sempre muda.

Estamos agora nos aproximando do Equinócio do Outono, a porta de entrada para a nova estação. A energia muda, as condições do tempo mudam e, assim como fazemos rituais para comemorar a Lua Cheia com práticas meditativas, também temos que colocar nossa atenção no que o outono nos traz para aproveitar o melhor da estação, mantendo o melhor para a nossa saúde. Não há como negar que as mudanças de estações têm uma profunda influência em nossa saúde.

No outono, o ar começa a se mover numa brisa mais fresca que, aos poucos, vai se tornando mais fria. Também, “as águas de março que fecham o verão” darão lugar a um tempo mais seco. Leve, frio, seco, errático, móvel são as qualidades predominantes no outono.

Na linguagem do Ayurveda, dizemos que estamos num tempo Vata, biotipo que é representado pelas qualidades acima que vêm dos elementos ar e éter.

A mudança de temperatura e a secura do ar podem trazer os resfriados, gripes, tão comuns nessa época, assim como pele seca, constipação e pensamentos erráticos que podem se traduzir em ansiedade, insônia e medo.

Para manter o equilíbrio, a sabedoria ayurvédica nos ensina contrapor hábitos e alimentação a essas qualidades que estão muito presentes nesse momento.

Para evitar a secura desse período, massagear o corpo inteiro com óleo de gergelim morno, deixar por 10 minutos e depois enxaguar o corpo com água quente, de preferência sem usar o sabonete nesse banho. Isso ajuda a diminuir a secura, a prevenir problemas articulares e músculos contraídos. Passar também um pouco do óleo de gergelim por dentro das fossas nasais, utilizando o dedo indicador,  ajudará a evitar a secura desse epitélio.

Para se contrapor ao frio e à tendência a digestão mais irregular, priorizar alimentos quentes e cozidos. Os sabores que equilibram vata são: doce (não se refere a alimentos com açúcar), ácido e salgado. Os que desequilibram, principalmente por suas qualidades secantes e frias, que devem ser restringidos, são: amargo, picante e adstringente.  Alimentos como o kicharee são excelentes opções para o almoço de um dia mais frio, variando os vegetais agregados e, no jantar, preferir os legumes no vapor e as sopas. Comer menos saladas cruas.

O chá Yogi é uma excelente bebida para o outono!

Como Vata é móvel, mas errático, nossa mente poderá estar fervilhando com mil pensamentos que poderão levar à ansiedade e insônia. Outono e inverno são períodos onde devemos estar mais dentro de nós mesmos, um tempo para introspecção, para um maior conhecimento de nosso próprio ser. Reserve mais tempo para desfrutar do silêncio e mantenha uma prática meditativa consistente.




Nos dias mais frios, mantenha o corpo aquecido e aqueça-se também com o convívio dos amigos, com o aconchego de seus ambientes.

A prática de yoga é excelente em todas as estações e, no outono/inverno, procure fazer os exercícios num ritmo mais lento para se contrapor à mobilidade de Vata e dê uma especial atenção à respiração, já que Vata se relaciona com os pulmões e também com o Sistema Nervoso. Práticas excelentes são: Surya Namaskara, posturas de torção que estimulam o funcionamento do intestino, postura de eliminação de gases, Vaca-gato, Shavásana para aterrar e relaxar, respiração longa e profunda, respiração com alternância de narinas.

Em Kundalini Yoga, o Manual Kundalini Yoga para Juventude e Alegria traz muitos kriyas para o Sistema Nervoso que são excelentes para essa estação. Qualquer meditação é recomendada para esse período, mas Shabad Kriya é especial porque pode ajudar a combater a insônia que pode ser comum nesse período Vata. A Respiração do Dez é uma excelente prática para manter forte nosso sistema imunitário.

Vata em equilíbrio traz criatividade, alegria, conexão com nossos sentimentos, entusiasmo pela vida. Vamos expandir essas qualidades equilibradas, aproveitando para aprender a cuidar de nós com todo carinho nesse outono.

  A seguir algumas receitas  nutridoras para essa estação:

Amaranto quente para o Café da Manhã (outono)

Ingredientes:
- 1 xícara de amaranto seco 
- 2 ½ xícaras de água
-  ¼ xícara de uvas passas
Guarnição: coco ralado
Preparação:
            Deixe a água ferver numa pequena panela, misture nela o amaranto e as uvas passas. Reduza o fogo e cubra.


Banquete do Yogi Bhajan (Kicharee)
 (tridosha e principal prato na dieta de desintoxicação)

Ingredientes:

- 1 xícara de feijão moyashi lavado
- 1 xícara de arroz basmati
- 5 xícaras de água
- 1 cenoura cortada em pedaços pequenos
- 1 abobrinha cortada em pedaços pequenos
- ½ xícara de azeite
- 2 colher de chá de cúrcuma
- ½ colher chá pimenta Cayena
- 1 colher (chá) de sementes de cominho
- 1 cebola picada
- 2-3 talos de salsão picados
- 1 colher chá pimenta do reino moída na hora
- 1 colher chá de coentro em pó.
- 4 dentes de alho.
- 1 colher sopa de gengibre picado bem fininho
Preparação
            - Coloque numa panela o feijão e a água para ferver.  
            - Quando os feijões estiverem quase cozidos, acrescente o arroz. Se precisar, acrescente mais água quente até o arroz cozinhar. 
            - Acrescente os vegetais, diminua a chama e cozinhe até que estejam tenros. A consistência final é de uma comida bem cozida.
            À parte, numa frigideira, coloque o azeite ou o ghee, agregue a cebola, o alho, o gengibre e a cúrcuma. Depois de fritar um pouco, acrescente os outros condimentos. Desligue o fogo e reserve. Acrescente um pouco de sal.
            Quando o cozido de arroz, feijão e vegetais estiver pronto, misturar na panela o conteúdo da frigideira.
            Guarneça com salsinha ou coentro fresco picado.

Sopa de Mandioquinha Salsa

Ingredientes:
- 7 mandioquinhas salsas

- 2 colheres (sopa) manjericão picado
- ½ xícara de alho-poró
- 1 cebola finamente picada
- 1 colher (chá) de cúrcuma
- !/2 colher (chá) de cominho em pó
- 2 colheres sopa de óleo de girassol ou azeite
- água filtrada

Preparação
            Lave e descasque as mandioquinhas. Corte em rodelas grandes e reserve.
            Coloque uma panela no fogo, acrescente o azeite, deixe esquentar e coloque a cúrcuma em pó, a cebola e o alho-poró e deixe refogar um pouco até a cebola dourar.
            Acrescente a mandioquinha, a água e o sal e deixe ferver até cozinhar a mandioquinha.
            Deixe esfriar. Depois de frio, bata no liquidificador, acrescente o manjericão, até virar um creme. Volte ao fogo para esquentar um pouco e sirva.